sexta-feira, 26 de junho de 2009

Primeira semana de trabalho

Algumas semanas atras eu estava entediado, cansado de mandar curriculos, sem ter muito sucesso.

Sai pra devolver um filme na biblioteca e notei que havia uma barbearia chamada Mario's Barbershop do lado oposto da calçada. Resolvi passar la pra cortar o cabelo. Conversei bastante com o barbeiro, um sr. italino chamado Rino e com um russo chamado Vladimir, que e dono do salao. Todos imigrantes com decadas de Canada.

Ficamos conversando enquanto o sr. Rino cortava meu cabelo. Comentei que haviamos mudado recentemente pra ca e que estava procurando trabalho na minha area.

No final das contas o sr. Rino falou: "Fique tranquilo. Da proxima vez que voce voltar aqui, ja vai estar empregado". Eu disse que ele era otimista demais, considerando a recessao atual.
Sai mais animado da barbearia e feliz por ter achado um lugar muito bom pra cortar o cabelo.

Na semana seguinte comecei a ir ao NOW, um programa de 3 semanas voltado pra imigrantes em busca de colocaçao de trabalho.
Ainda na primeira semana de curso recebi uma ligaçao de uma empresa pra qual havia enviado curriculo no dia anterior. Comentei com a professora que estaria ausente no dia seguinte devido a entrevista, e ela ficou muito contente, dividindo esta noticia com a turma. A Heather, minha job developer, deu algumas dicas pra mim na vespera da entrevista.

Pra resumir a conversa, fui la fazer a entrevista na sexta e ao final o dono me convidou pra começar a trabalhar ja na segunda. Sai de la e fui direto pro NOW, pois queria contar as boas novas pra todos. Dar um abraço nessas pessoas sensacionais, que tambem estao batalhando por um lugar ao sol, foi uma das coisas mais gratificantes desde que cheguei aqui.

Divido esta vitoria com todos os amigos do Skills for Change e do NOW, com as professoras Suraiya e Noreen, e as job developers Maya e Heather.

A conquista do primeiro emprego, na minha opiniao, e o desafio mais dificil que um imigrante pode enfrentar, e ter conseguido isso em pouco mais de 2 meses de Canada nos da tranquilidade pra dar passos ainda maiores por aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Para quem acha(va) que no Canadá...

... 1) os trabalhadores estão sempre felizes e satisfeitos...


(clique na foto para ampliá-la)

Tirei esta foto hoje, perto de casa, na volta da escola. Em algumas partes da cidade as lixeiras estão transbordando por causa da greve de trabalhadores públicos (entre eles, os lixeiros), como a Jeanne mostrou no blog dela. Por aqui, por enquanto só uma garrafinha teimosa do lado de fora.
Isso é preocupante! Mesmo sem greve, os metrôs de Toronto estão sempre sujos!! Imagina agora com as lixeiras lacradas? Aí é que o povo vai achar que está fazendo a coisa certa ao largar garrafas, embalagens etc. nos vagões...

... 2) não faz calor...


(clique na foto para ampliá-la)

Esta foto também foi tirada hoje por volta de 3h30. Mas de manhã já estava bem quente! Será impressão minha ou o sol aqui é mais forte que em São Paulo?! Ok, não sou fã de geografia, mas deve ter uma explicação lógica. Há quem diga que prefere o frio daqui ao calor, porque mal se consegue respirar nos dias muito quentes. Eu ainda não posso dizer nada sobre isso, porque estou há apenas 2 meses no Canadá e nunca sequer vi (qto mais senti as consequências da) neve na minha vida! Por enquanto só o que sei é que estou achando o máximo ter o dia claro até 9 da noite!
Pra falar a verdade eu fiquei surpresa quando comecei a pesquisar sobre o Canadá (Toronto) e soube que aqui fazia essa calorão. E sei que muita gente no Brasil ainda não acredita que isso seja verdade. Uma vez me disseram, em SP: "Sim, no Canadá o verão é quente sim!! No ano passado o calor caiu numa segunda-feira!" (very funny...)


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Garota Enxaqueca


Vocês se lembram do Garoto Enxaqueca? Eu estou me sentindo uma garota enxaqueca esses dias... parece que tudo o que eu tenho tentado fazer não tem dado e certo e eu só faço reclamar!

O tal workshop que eu estava super empolgada pra fazer não chega nem aos pés do que eu imaginei. Toda segunda e quinta eu me sinto numa reunião dessas de auto-ajuda, AA, MADA, seja lá o que for. Pior que parece que só eu que não estou no clima! A mulherada tá curtindo! Na aula passada até relaxamento tivemos que fazer... "Fechem os olhos... pensem num dia de sonho!! Um dia ideal de trabalho! Você acorda... como é o seu quarto?!! O que você toma de café da manhã?! Como vai para o trabalho? Imagine sua sala... ou você trabalha ao ar livre?!" e por aí vai, até o fim do expediente! No 5º segundo eu já estava de olhos abertos e pude notar sorrizinhos nos rostos das outras participantes, que sonhavam acordadas, de olhos fechados.

Semana passada vi um anúncio num salão de cabeleireiro aqui perto. Estavam precisando de recepcionista. Achei que pudesse ser uma ótima oportunidade de praticar o inglês e ganhar uma graninha. Pouca, eu sei, mas melhor do que nada. Entrei no salão pra me oferecer pra vaga. A dona (acho que é a dona) perguntou se eu tinha experiência em recepção de salão, e eu disse que em recepção sim (já trabalhei numa concessionária, na parte administrativa, e substituía a telefonista na hora do almoço dela. Mas a dona do salão não precisa saber desses detalhes), mas não de salão. Ela pediu pra eu mandar um résumé. Fiz meu résumé com a ajuda do Pedro e seus conhecimentos de currículo canadense. Adorei, ficou lindo, super atrativo! Mandei pra mulher. Ela me respondeu no dia seguinte dizendo que era preciso ter experiência de 2 anos em recepção de spa-salon. E eu que pensava que a função de uma recepcionista de salão era só ouvir madame fofocando e marcar unha e cabelo...

Minha professora do LINC é ótima, dá umas atividades interessantes, não tenho o que reclamar do trabalho dela. Mas quando a mulher começa a falar do Canadá, sai de baixo! Outro dia ela ficou mais de 20 minutos falando que o Canadá é um país que não tem justiça, que os assassinos daqui não ficam nem 5 dias na prisão, que a violência por aqui é muito grande e blá blá blá... juro que por alguns instantes eu achei que estava no Brasil. By the way... ela é polonesa. E vai passar as férias na Polônia. Deve estar com saudades de casa, por isso resolveu descer a lenha no país que a acolheu há 18 anos.

E por falar em férias, mais uma reclamação (a última do post): vamos ter seis semanas de férias na minha escola! Achei isso péssimo! Acabei de chegar, não tenho tempo a perder! Preciso estudar, praticar!! Estava pensando em procurar algum outro curso, mas fiquei sabendo que numa outra escola aqui perto as férias serão só de duas semanas. Vou tentar minha transferência. Assim quem sabe eu paro de falar em português?! Sim, porque onde estudo têm 7 brasileiros (só na minha sala somos 4!). Eu fiz amizade com todos eles, são todos ótimos, mas quem disse que eu consigo falar em inglês com brasileiro?!! Só durante a aula e quando tem algum estrangeiro por perto. Caso contrário não sai!!! A Raquel até tenta, mas a minha teimosia venceu a insistência dela e hoje a gente conversa de uma forma... engraçada. Ela em inglês e eu em português. Não adianta!

Sorry... não queria fazer um post azedo assim, mas... nem só de dias cor-de-rosa vive um imigrante!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Miragem??!


Geeeente, cheguei da aula hoje e o Pedro veio me dizendo que queria comer um lanche gostoso... pediu pra eu fazer alguma coisa diferente. Nem tive tempo de pensar e ele abriu o armário e eu vi uma caixa de pão de queijo Yoki!!! Meus olhos brilharam! Acho que fiquei mais feliz do que quando chegaram nossos vistos!!
Já amassei, já assei e já comemos!! Era de pozinho, mas tá valendo! Deu pra matar um pouquinho da vontade! Nunca tinha feito pão de queijo de pozinho antes, mas acho que de agora em diante isso será uma constante!

Estão servidos?!

Querida amiga que visitaremos sábado, não precisa (aliás, nem invente de) mudar o cardápio! Pão de queijo, pra mim, é igual coração de mãe - sempre cabe(m) mais um(ns)!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Who am I? What can I do? Logo saberei!


E lá fui eu hoje cedo no Times Change tentar minha vaguinha no Career Planning. O escritório só abre às 9 horas, mas como na sexta passada fomos avisadas pra chegar cedo em virtude das vagas limitadas (13) eu já fui dormir ontem sabendo que hoje teria que madrugar.

Mas não exagerei muito não... saí de casa às 7h35 e 8h10 já estava dentro do prédio. Quando cheguei na porta do escritório já tinham 5 pessoas sentadinhas lado a lado no chão, perto da porta. Me juntei a elas e pouco a pouco foi chegando mais gente. 8h55 éramos 13 e a moça que será nossa professora fez a "contagem oficial", informando que estávamos todas dentro! De repente apareceram três retardatárias, e depois de alguns segundos de silêncio fomos informadas que o grupo poderia ter no máximo 15, mas que como tinham 16 pessoas lá, tudo bem!

Tivemos que pagar uma taxa de 20 dólares pela apostila (muito bem feita, por sinal. Gostei bastante do material) e já temos homework para o primeiro dia de aula. Já vi que vou ter que queimar alguns neurônios!!

Estou animada, e espero que esse curso seja realmente bom. E mesmo que eu saia de lá com a mesma dúvida que tenho hoje - "em que posso ser útil?" - com certeza vou tirar algum proveito dessas 10 aulinhas. Só de estar cercada de canadenses (sou a única estrangeira!) já será uma vantagem pra mim. Porque cá entre nós, ficar falando em inglês com um bando de estrangeiros na escola, cada um com seu sotaque e todos cometendo muitos erros, não é lá muito vantajoso.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Eu também quero trabalhar!


Não acho certo só o Pedro ficar ralando atrás de emprego. Eu também quero trabalhar! Essa vida só de dona de casa não me agrada tanto, e como (ainda) não posso me dar ao luxo de ser madame, resolvi me mexer! Quem sabe um dia?! rs

Depois de 1 mês e meio por aqui, e percebendo que tá cheio de gente TRABALHANDO com o inglês às vezes até pior do que o meu, achei que estava na hora de tomar uma atitude pra descobrir o que eu posso fazer no Canadá. Sim, digo descobrir porque infelizmente, pelo menos por enquanto, vai ser praticamente impossível continuar a fazer aqui o que eu fazia no Brasil, onde eu era proofreader (revisora de textos). Obviamente, em português. 

Ficamos sabendo de um lugar chamado Times Change, que é uma instituição que oferece apoio a mulheres* que querem ajuda para procurar um emprego e também àquelas que, assim como eu, não têm a mínima idéia do que fazer. Depois de me registrar por telefone na semana passada, hoje participei do workshop introdutório, o Getting Started, e nos foi explicado com detalhes cada programa. Para o grupo das "decididas", a instituição oferece um workshop de uma semana chamado Job Search, que nada mais é do que dar dicas de como montar seu resumé, como se portar numa entrevista de emprego, simulação de entrevista gravada em vídeo etc. E para o grupo das "perdidas", no qual eu me encaixo, é oferecido um workshop mais extenso, o Career Planning, que abrange 10 sessões divididas em 5 semanas (2 vezes por semana). Pelos exemplos de atividades que nos foram mostrados, vi que é algo como "um mergulho em si mesma" para saber quem você é, o que gosta e o que não gosta de fazer, quais as suas habilidades... uma espécie de teste vocacional bastante complexo. 

Depois da apresentação dos programas, tivemos que falar um pouquinho de nós e dizer em qual workshop estávamos interessadas. Quando chegou a minha vez, eu disse que seria perfeito se eu pudesse exercer a mesma profissão que exercia no Brasil, mas que em virtude do meu inglês, eu estava ali disposta a descobrir alguma outra possibilidade de trabalho. Por isso, escolhi o Career Planning. A mediadora do workshop parece que não concordou muito com a minha escolha, e disse que talvez fosse melhor eu marcar uma hora pra conversar com a consultora educacional - outro serviço oferecido pelo Times Change. 

Ao final do workshop fui conversar com a mediadora pra saber em que sentido a tal consultora poderia me ajudar, e ela disse que como eu já tenho um foco - ser revisora - eu não precisava fazer o workshop... bastava conversar com a consultora e ela me indicaria alguns cursos para eu me aperfeiçoar e continuar sendo revisora de textos. Aham!! É muito simples né!! Acabei de chegar, e não que meu inglês esteja macarrônico... pelo contrário, estou até feliz com meu progresso, mas não é porque eu sou capaz de me comunicar, de acompanhar um workshop e de entender Os Simpsons e Friends na TV que eu vou me meter a ser revisora!!! No way! Tentei explicar isso pra ela, mas parece que ela não quis entender! Maldita hora em que eu fui dizer que seria perfeito trabalhar como proofreader aqui! Sejamos realistas! Não é só porque uma pessoa fala uma língua que ela é capaz de exercer esse tipo de profissão! Conheço muita gente que sabe muito bem o português, mas que não é capaz de revisar um texto. Existem as técnicas e tudo mais! 

Mesmo assim marquei uma hora com a consultora. Realmente gosto muito de fazer revisão. Quem sabe dentro de alguns anos eu não esteja apta a fazer isso em inglês também?! De repente ela me indica algum curso legal e eu vou fazer. Por que não?

Maaaaassss paralelamente a isso eu quero trabalhar em alguma outra coisa! Por isso vou batalhar pelo workshop que escolhi. Sim, batalhar! Ou você acha que é só fazer a inscrição?! Na-na-ni-na-não!! Tudo o que é muito fácil não tem graça! Existem apenas 13 vagas e as 13 primeiras pessoas que chegarem no Times Change no dia combinado serão as felizardas! Mais ou menos assim: "Quem chegar primeiro põe o dedo aqui que já vai fechar!!" - achei esse critério meio ridículo, mas como o próximo workshop desse só vai começar em setembro vou fazer de tudo pra chegar entre as 13 primeiras e garantir a minha vaga no que começa dia 11 de junho. To pensando em fazer amizade com o porteiro do prédio pra ele facilitar a minha entrada caso a fila já esteja virando o quarteirão quando eu chegar!!

Em tempo: se você ficou interessada no outro workshop (o das decididas), fique tranquila! Quase toda semana tem turma começando e você pode simplesmente se registrar pelo telefone. A "gincana" é só para as perdidas!! 

* Não entendi bem por que a instituição é só para mulheres! Mas não vou precisar queimar o sutiã em praça pública, viu, Monique?! Nada a ver com feminismo!! rs

terça-feira, 26 de maio de 2009

Entrevista por telefone

Estava dormindo hoje de manha e acordo com o telefone tocando. Era uma pessoa de uma empresa pra qual eu havia enviado meu curriculo na semana passada. Se tratava de uma entrevista por telefone. Nessa hora, o ideal, de acordo com o que aprendi nos cursos por aqui, seria ter pedido pra ela se eu poderia retornar a ligacao um pouco mais tarde, assim daria tempo de rever os detalhes deste anuncio de emprego e tambem da empresa, a fim de estar melhor preparado pra entrevista.
Mas a emocao e tao grande que eu disse pra ela que sim, que poderiamos conversar imediatamente.
Ela fez algumas perguntas sobre as funcoes que exerci nas empresas em que trabalhei, se eu tinha permissao pra trabalhar aqui e por que eu havia decidido vir pro Canada. Em determinado momento ela fez uma pergunta que eu tive dificuldade de entender e pedi pra ela repetir duas vezes, o que certamente nao deve ter causado boa impressao. Pelo que ela explicou, esta era uma pre-screening interview. Apos ligar pra algumas pessoas ela vai encaminhar ou nao o curriculo pro responsavel pela area. Segundo ela, esse processo vai levar ainda umas 3 ou 4 semanas. Depois que desliguei o telefone, comecei a pensar nas coisas que respondi e ai percebi como poderia ter ido bem melhor na entrevista. Mas serve de primeira licao e da proxima oportunidade vou estar mais bem preparado.

Chegamos aqui ha um mes e meio. No comeco a correria e grande, mas depois que as coisas estao mais assentadas, vem a parte mais complicada, que e justamente a busca por emprego.
Ja conclui o curso no Skills for Change e ha duas semanas venho enviando curriculos pra algumas vagas. Confesso que estava bastante desanimado por nao receber nenhum contato, nenhum feedback. O Canada foi menos afetado pela crise do que os EUA, mas mesmo assim a situacao esta dificil. Mesmo pra empregos do tipo "survival" a coisa nao esta facil. Estes dias, no onibus, estava ouvindo a conversa de duas mocas (com ingles perfeito), reclamando sobre a dificuldade de conseguir uma vaga. Uma so conseguiu um emprego part-time e a outra nem isso estava conseguindo. E agora com o verao, muitos estudantes em ferias procuram emprego tambem, aumentando a concorrencia.

Estamos gostando bastante daqui, mas so vamos efetivamente desfrutar as coisas com a consciencia leve quando o dinheiro estiver entrando tambem, e nao so saindo.
Que Deus nos ajude!