quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Brasil: (quase) 3 anos depois

Amanha a noite embarcamos para o Brasil pela primeira vez desde nossa vinda pro Canada.
Depois de tanto tempo fora de casa, a gente acaba virando "gringo", entao vai ser interessante essa experiencia, perceber as coisas que acontecem na terrinha com "outros olhos". Espero nao me decepcionar muito.

Durante estes quase 3 anos, recebemos varias visitas do Brasil, o que ajudou a diminuir as saudades da familia. Nesse periodo, focamos na nossa adaptacao e agora sim podemos visitar o pais certos de que fizemos a escolha correta.

A Clarinha, como podem ver, ja esta preparada para o verao fora de epoca. Nao sei como sera administrar as saudades dela, que so voltara com a Dani em abril.

Ate a volta!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Happy Holidays!


São os votos de Pedro, Dani e Clara.


Photos by: Yuki Noda

sábado, 8 de outubro de 2011

A mãe que nasceu...



Sem qualquer pretensão de tornar este blog um diário sobre a minha vida de mãe, aqui vai a continuação do post anterior.

Minhas primeiras semanas em casa, na volta do hospital, foram bastante tumultuadas. E não foi só por causa da Clara não!!!
Por falta de instrução da médica, e pura falta de ideia minha, eu deixei de tomar o complemento de ferro que havia começado a tomar dois meses antes do parto, já que o ferro estava baixo no meu sangue.
Resultado: perdi muito sangue na cirurgia e acabei ficando anêmica! Só fui descobrir isso na semana seguinte ao nascimento da Clara, quando fui parar no hospital superinchada, com formigamento nas mãos e pés e sensação constante de desmaio.
Junte-se a isso o corte da cesárea, que não me deixava andar e nem deitar direito, e os altos e baixos dos hormônios que me fizeram chorar, sem motivo aparente, por quase duas semanas! Ah, claro, junte também o fato de eu ter que amamentar a Clarinha a cada duas horas, porque ela tinha que voltar ao peso que tinha quando nasceu.

Para minha sorte, minha mãe e o Pedro me deram a maior força, e eu me transformei numa mamadeira-gigante-quase-ambulante. Sim, porque eu não fazia nada mais do que amamentar a Clara. Ah, sim, e chorar!!! Eu queria conseguir cuidar da minha filha, mas não conseguia!!!

Todas as manhãs, minha mãe me preparava um suco de couve - que no início me causou estranheza, mas que é muito gostoso - e para o almoço e jantar sempre tinha carne, espinafre, beterraba, brocoli, feijão, mais couve... só não chupei prego! Com isso meu nivel de ferro voltou ao normal em cerca de um mês. E o Pedro realmente se transformou num paizão!!! Eu o via curtindo a Clara, tirando fotos, colocando musiquinhas... e não tinha forças pra curtir junto. Não que eu não estivesse feliz... mas esse negócio de hormônio é mesmo muito louco!!!

Engraçado que exatamente um dia antes de eu começar a chorar, uma enfermeira ligou aqui em casa para saber como estavam as coisas (é de praxe isso por aqui. Elas ligam para saber como estão os primeiros dias, se tem alguém me ajudando, como está a amamentação, como o bebê está dormindo, como está a troca de fraldas... enfim, é uma conversa supercompleta - durou uns 40 minutos - sobre os primeiros dias da mãe e do bebê) e uma das perguntas que ela me fez foi se eu estava triste e com vontade de chorar. Lembro que na hora pensei: "que mulher sem noção! Estou passando pelo momento mais feliz da minha vida, e ela pergunta se estou triste?!!"

Conversando com meu médico, ele me tranquilizou. Disse que se eu não tivesse vontade de ficar perto da Clara, ou de amamenta-la, configuraria uma depressão pós-parto - o que não foi o caso!! Apesar de muito cansada, eu estava gostando do fato de ter que amamenta-la a cada duas horas. Era uma maneira de me sentir útil para ela.

Felizmente, do mesmo jeito que veio, o chororô foi embora. A dor do corte ainda me acompanhou por quase um mês... Mas tudo foi se ajeitando!

Minha mãe, que havia chegado 3 dias antes da Clarinha nascer, voltou pro Brasil 3 dias antes dela completar 2 meses. Nesse meio tempo, minha sogra veio pra conhecer a Clara e passou duas semanas aqui com a gente.

Agora somos só nós três! (Ops... semana que vem chega mais visita!! Oba!! Mas essa é uma outra história!)

Estou amando ser mãe! A Clarinha é uma criança muito calminha. Ganhou 2Kg desde que nasceu - está com 4,8. De uns dias pra cá ela começou a dar risadinhas "com som"! Já nos acompanha com os olhos e adora observar o mobile rodando sobre ela no berço!! Ainda acorda no meio da noite para mamar, mas as mamadas, que no início duravam uns 45 minutos, agora não chegam a 15. Tem crises de cólicas de vez em quando, mas todos dizem que somos sortudos, porque ela não é de chorar!! É muito gostoso ver como a cada dia que passa ela vai descobrindo novas coisas!! Eu e o Pedro morremos de orgulho com toda e qualquer coisinha diferente que ela faz!! Ela já dorme no quartinho dela desde que tinha uns 20 dias. E eu durmo de antena ligada no monitor da babá eletrônica! E como ela gosta de tomar banho!!! Fica super quietinha, olhando para mim o tempo todo, e prestando atenção a tudo o que falo pra ela!

Semana passada, quando completou 2 meses, a Clara tomou a primeira bateria de vacinas! Agora ela já está apta a furar as orelhinhas!!! Aqui no Canada não é como no Brasil, que algumas meninas já saem de brinquinhos do hospital, assim que nascem! Aqui a gente precisa apresentar a carteirinha de vacinação... E mesmo já podendo furar as orelhas com alguns meses de vida o pessoal aqui não fura logo não! É possível contar nos dedos o número de meninas que usam brincos lá no day care onde trabalho!

Meus dias com a Clara até que estão movimentados... Agora que estou sozinha com ela tenho muito o que fazer, e aproveito o tempo que ela está dormindo - ela dorme bastante! - para cuidar da casa, da roupa, e de mim! Procuro sair todos os dias de carrinho para ela tomar um pouco de sol - enquanto ele ainda está quentinho! Daqui a pouco os passeios vão ter que ser dentro do shopping!

Estou frequentando, uma vez por semana, um grupo chamado Babyville, com mães e bebês de até 6 meses de idade. Em uma hora e meia, as mães trocam experiências e tiram dúvidas sobre vários tópicos da maternidade, sob a mediação de uma enfermeira.

Enfim... quando nasce uma mãe, nasce junto muito trabalho. E eu acho que tenho desempenhado bem essa minha nova função. Adoro me dedicar à Clara. Ser mãe tem feito de mim uma pessoa melhor (pelo menos assim eu espero!). É preciso ser bom para dar bons exemplos.

E como hoje não estou muito inspirada, vou colar de mim mesma algo que escrevi no Facebook uns dias atrás:

Se eu soubesse que era tão bom, teria sido mãe antes!! E isso inclui ficar acordada de madrugada, tentar decifrar diferentes tipos de choro, e até trocar fraldas recheadas! O fato de ter uma vidinha totalmente dependente de mim, antes me assustava. Hoje faz de mim uma pessoa melhor. O sorrisinho da Clara - ainda que por enquanto involuntário -, as pequenas descobertas do dia-a-dia, o cheirinho gostoso de bebê... compensam as minhas olheiras. Filhos: eu recomendo! =)


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nasce uma mãe



Logo que a Clara nasceu, o namorado de uma prima, que é estudante de medicina, me disse que os professores dele costumam dizer: "sempre que nasce uma criança, nasce uma mãe". Gostei muito dessa frase e, baseando-me nela, vou contar como tem sido a minha vida desde o meu nascimento, há dois meses. O nascimento da mãe-Daniela.

A vontade de ser mãe sempre foi grande, mas engraçado que quando engravidei, junto com a vontade nasceu um medo!! Uma insegurança... um sentimento de: "eu?!! Mãe?!!" Durante a gravidez esse medo sumiu e eu curti bem cada momento das transformações do meu corpo! Estava adorando ver minha barriga crescer, e graças a Deus tive uma gravidez tranquila (apesar do probleminha da placenta).

Acontece que o tempo passa rápido... e o dia foi se aproximando... e eu tinha que organizar as coisinhas do bebê... e... o medo voltou! Grande! Enorme!!! Beirando o pavor!!!!! As roupinhas estavam lá para eu lavar e organizar, mas eu adiava essa tarefa a cada dia que passava. Logo que eu engravidei e que minha mãe resolveu que viria ficar comigo, ela disse que me ajudaria com as roupas. Mas o que não estava nos planos era que o parto seria antecipado em 18 dias! Resultado: minha mãe, que já estava com passagens compradas, chegaria num sábado e o bebê nasceria na terça-feira seguinte! As roupas tinham que ser organizadas por mim. Não tive escapatória. Lavei tudo e sabe que me diverti?! Coloquei tudo bonitinho em saquinhos plásticos, tirei mil fotos, abria e fechava as gavetas da cômoda umas 50 vezes por dia! O medo sumiu de novo!! Maaaasss... com a chegada da minha mãe, eu me dei conta de que o dia realmente estava se aproximando. Não me esqueço uma cena: minha mãe mexendo nas coisas do bebê, na véspera do parto, e eu petrificada, só olhando. De repente desabei a chorar: "eu não vou conseguiiiirrr!!!! Vou ter uma criança totalmente dependente de mim!! E agora?!!!"

Agora é hora de ir: car seat, mala do baby, mala da mãe... Vamos pro hospital! Terça-feira, 2 de agosto, por volta de 1 da tarde. Eu estava em jejum desde a meia-noite da segunda-feira.

A vantagem de ter tido que fazer cesárea foi esta: hora marcada, sem sustos, nem correria. A desvantagem: fome!!
Fizemos praticamente uma festa no hospital. Além de mim, da minha mãe e do Pedro, tinha mais 6 pessoas lá com a gente, na sala de espera. Nossos fiéis escudeiros. Amigos de todas as horas. Nossa família canadense (brasileira).

Fui informada de que a médica chegaria por volta das 4h30 para a cirurgia. Lá pelas 3, me disseram que ela se atrasaria um pouco, mas que até umas 5h30 ela já estaria no hospital. Às 4 horas eu pedi para me colocarem no soro, porque a sede era grande (a fome, a essas alturas, já tinha até passado!). O tempo foi passando e a ansiedade era geral. Graças à tecnologia e ao meu querido iPhone, fiquei em contato com minha irmã e irmão, várias amigas (do Brasil e daqui) e praticamente todas as minhas primas, que fizeram uma "sala de espera virtual" no Facebook. Bom... quando eram quase 7 da noite a médica apareceu, e ainda teve a coragem de fazer uma piadinha: "vamos deixar a cesárea pra amanhã?" ahamm!!!

Chegou a hora! Fui andando para a sala de cirurgia, não sem antes dar um beijo na minha mãe e amigas. O Pedro foi comigo, mas, antes de deixarem ele entrar entregaram uma roupa verdinha para ele vestir.

A sala de cirurgia me lembrou o laboratório da minha antiga escola. Fria... paredes de azulejo... balcões, pias... Me pediram para sentar na cama estreita e várias pessoas vieram se apresentar. Todas de touca. Todas iguais. Todas sorridentes... menos eu! Eu estava era muito tensa!! Perguntei pelo Pedro, e falaram que ele entraria quando eu estivesse pronta.

Chegou a hora de tomar a anestesia. Não que tenha doído, mas a sensação da agulha entrando nas costas é bem estranha. Lembro que soltei um "ai..." e a enfermeira que estava na minha frente pediu que eu abaixasse a cabeça. Ela estava me "abraçando". E esse é o único rosto - dentre todos os outros que estavam em volta de mim - do qual eu me lembro.

Deitei na cama, com a ajuda de (talvez) umas três pessoas. Braços abertos... soro, aparelho monitorando pressão e coração... Perguntei, mais uma vez, pelo Pedro. A resposta foi a mesma. Comecei a rezar. (Agora preciso fazer um parênteses... alguns dias antes, vi pela internet, a propaganda da Nissan, em que aparecem os "pôneis malditos". E juro - não é piada! - esses pôneis malditos me acompanharam num dos momentos mais importantes da minha vida! Era eu começar um "Pai Nosso... pôneis malditos, pôneis malditos...". Mudei pra "Ave Maria... pôneis malditos, pôneis...") Desisti de rezar. Reconheci a minha médica dentro de uma roupa verde + touca. Ela perguntou: "você está sentindo alguma coisa?" eu disse que não... e ela: "é que eu ainda não comecei a cortar!" Será que essa mulher tá fazendo piada de novo?!! Cadê o Pedro?! Dessa vez não fui em quem perguntou... ouvi alguém perguntar: "doutora, pode chamar o pai?"" e ela: "Ops... ele não está aqui?". Olhei para o lado. Lá estava o Pedro. De touca. Mais um rosto conhecido.

Não sei precisar quanto tempo depois de o Pedro ter chegado, mas foi super rápido: percebi uma movimentação, e a anestesista, que estava o tempo todo do meu lado, disse: "oh, she is so cute!" e eu, imediatamente: "she?!!" - ela: "she!!!". O Pedro: "it's a girl?!" ela: "oh, yeah!" eu: "it's a girl??!" (ninguém respondeu) eu: "é menina, amor?!" hahaha (não que eu me lembre desses diálogos! Está tudo registrado no video que o Pedro gravou). A alegria de ter tido uma menina era tão grande que eu não acreditava! A Clara nasceu!! A minha Clarinha!!!

Nasceu uma mãe. Nasceu um pai. Nasceram avós e avô corujas e tios orgulhosos. Nasceu uma bisavó (a outra já é bisa há muito tempo!) Nasceram tias-bisas, tias e tios-avós, primas e primos-tios. Nasceram até avós postiços, mas não menos amorosos. Nasceu a pessoa mais importante da minha vida. Nasceu a minha filha: Clara Assunção Tuccori.

... to be continued

sábado, 6 de agosto de 2011

Meu nome eh Clarinha


 Ola!

Meu nome eh Clarinha - sou a mais nova integrante desse blog!
Desde a epoca de namoro meus pais ja sabiam que meu nome seria esse.
Eu nasci na ultima terça-feira, dia 2 de agosto, no hospital St. Joseph's em Toronto, as 19:44.
A mamae teve que passar por uma casarea, mas apesar das dores pos-parto, sua recuperaçao esta indo muito bem!

Eu nasci com 2.830kg e 49cm. Hoje pela manha fui ao nosso family doctor (como eh chato ser bilingue), o Dr. Artur, e ele disse que eu estou muito bem de saude! A recepcionista da clinica se apaixonou por mim, me achou very, very pretty! Mas isso nem me causa surpresa, pois logo que sai da barriga da mamae as enfermeiras e medicos ja falaram isso pra mim. Pretty foi a primeira palavra que aprendi em ingles!

O papai eh meu fa numero 1! Quando ele saiu da sala de cirurgia me carregando em seus braços, se deparou com varios amigos a minha espera, doidos pra saber se eu era menino ou menina. Ele nao chorou la dentro, mas fora da sala nao se conteve, e mal conseguiu dar as boas novas: "Eh a Clarinha"!


Todos os amigos estao radiantes aqui no Canada com a minha chegada, e no Brasil ainda mais! Nao veem a hora de eu viajar de aviao e visita-los por la ano que vem.

Eu ja estou em casa - adoro meu quartinho e a decoraçao que a mamae fez com tanto carinho pra mim.
No hospital eu me comportei super bem, mas em casa estou mantendo todos muito ocupados, 24/7, como dizem por aqui.
Muito obrigado por todo carinho desde a epoca da gravidez da mamae!

Agora deixa eu ir pois vou receber minhas primeiras visitas em casa, entao preciso comer e trocar de roupa.

See you soon!

Clarinha

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Como ser brasileiro, mas nao demais, no exterior (7 Erros)


Ontem li no IG uma coluna do jornalista norte-americano Seth Kugel que achei bastante interessante, entao resolvi compartilhar aqui no blog pra quem nao viu:

"É bem difícil um turista chegar ao Brasil e não se apaixonar pela paisagem, pela música, pela comida. Mas é o povo que deixa a melhor impressão. Vocês são charmosos, otimistas, sorridentes, hospitaleiros. E as qualidades são contagiantes. O estrangeiro chega e entra na mentalidade brasileira. Como dizem, quando em Roma, faça como os romanos…

Mas o que acontece quando o romano sai de Roma? Ou seja, agora que muitos brasileiros estão viajando pela primeira vez para o exterior é preciso pensar em quais “brasilidades” funcionam, e quais não, além das fronteiras brasileiras.

Sorrir muito e ter uma atitude positiva sempre vão dar certo. Outros costumes… nem tanto. Seguindo a tradição da coluna, fiz uma lista de sete, ou seja Seth, erros para o brasileiro evitar no exterior. (Um esclarecimento para o leitor. Deve ser irônico receber conselhos de comportamento de alguém dos Estados Unidos, país que produz talvez o turista mais chato e irritante do mundo – o famoso “ugly American”. Mas é que meu povo já é um caso perdido. Há séculos que nós viajamos pelo planeta fazendo besteiras, e cachorro velho não aprende truques novos. Para vocês, ainda há tempo.)


1) FALAR COM O POLEGAR:

É talvez a “brasilidade” mais comentada pelos americanos que visitam o seu país pela primeira vez: esse sinal de levantar o polegar (ou até os dois) para dizer “ok”, ou “não tem problema”, ou “de nada”, ou “pode passar” ou até simplesmente “bom dia”. O brasileiro não inventou o “thumbs up” (como se diz em inglês), mas é de longe o país que mais usa. Por exemplo, tenho um amigo que cada vez que viaja ao Brasil conta quantos “thumbs up” recebe por dia. Dois polegares ao mesmo tempo valem dois, óbvio.

Tudo bem dentro do Brasil. Mas em muitos outros países, é esquisito – até brega – fazer isso. (E em alguns países é vulgar: Bangladesh, por exemplo.) Para nós, nos Estados Unidos, é coisa do passado. Lembra muito o personagem “The Fonz” do seriado “Happy Days”, um cara cool demais… só que nos anos 50.


2) TOMAR BANHO. E OUTRO. E MAIS UM:

Os brasileiros são, sem dúvida, o povo mais limpo do mundo. Às vezes acho que nos dias mais quentes do verão vocês passam mais tempo debaixo do chuveiro do que fora. Eu não admito aos amigos brasileiros que nem sempre tomo banho antes de dormir, por medo de perder a amizade ou talvez até meu visto.

Mas quando for viajar, lembre que o Brasil tem 14% da água doce do mundo, e só 3% da população do planeta. Em muitos países a água é escassa, em outros o custo para aquecê-la é alto. Quando eu estudava em Paris, hospedado com uma família francesa, minha “mãe” reclamava muito quando eu passava mais de cinco minutos no chuveiro. Num hotel, pelo menos, ninguém vai saber que você está gastando demais os recursos naturais do país. Mas se você ficar na casa de amigos, tente se limitar a um banho curto por dia. Não se preocupe: que eu saiba ninguém nunca morreu por ficar pouco tempo no banho, nem mesmo na França.

3) USAR SUNGAS E BIQUÍNIS BRASILEIROS:

Não é que não pode. É que você só deve ficar ciente das repercussões. Queridas brasileiras, eu conheço vocês, e vocês adoram comentar quando uma gringa aparece na praia de Ipanema com um desses biquínis feios que cobrem a bunda toda. Agora se preparem para uma revanche. Se vocês andarem com um biquíni brasileiro ­– desses que tapam talvez 10% da sua bunda – em muitos países vão atrair alguns olhares estranhos das mulheres locais. (Os homens vão gostar, com certeza, mas só porque o biquíni lembra um pouco a roupa de uma stripper.)

Quanto à sunga, em alguns países, tudo bem. Em outros, como é o caso do meu, se considera bem esquisito e meio vulgar. Exemplo: num episódio do programa americano Curb Your Enthusiasm, o personagem principal (o comediante Larry David) enxerga o psiquiatra dele na praia… de sunga. Fica horrorizado e decide desistir da terapia.

4) LIXO NO LIXO:

O mundo está dividido em duas partes: a que tem sistema de esgotos que permite jogar o papel higiênico na privada, e a que não tem. E, desculpe a intimidade, mas no mundo com sistema de esgotos que permite, se considera muito nojento jogar papel usado no lixo.


5) BEIJAR À VONTADE:

O problema do beijo de cumprimento é bem documentado, não vou perder seu tempo falando de quantas vezes se beija em cada cidade do mundo. O problema é o beijo na boca, que no Brasil é muito mais aceitável em público do que em outros países. Ou seja: nas ruas, nos parques, nas mesas de bares e restaurantes, até na fila para entrar no cinema. Por isso eu sempre digo que o lema oficial do Brasil deveria ser “Get a room!”. Essa frase, que em tradução livre seria algo como “Arrume um motel!”, é o que se fala quando um casal está expressando sua afeição de forma… exagerada.

Juro que em nenhum outro país do mundo (que eu conheça) os casais se beijam tão aberta e apaixonadamente em público quanto no Brasil. E pior, ao lado dos amigos. Eu não estou contra, e até faço também quando a situação se justifica… no Brasil. Mas em outros países, na maioria das situações, é preciso se controlar para não constranger os outros. Existem exceções: no cinema, até pode, mas pelo amor de Deus só se estiverem sozinhos, e não ao lado de um casal de amigos. Na balada ou numa festa, ok, não precisa arrumar um motel para se beijar. Mas arrume um cantinho escuro pelo menos.

6) ESQUECER A GORJETA:

Em Nova York, os garçons odeiam os estrangeiros. Por quê? Porque um garçom nos EUA não ganha quase nada de salário – recebe até menos de um salário mínimo, porque vive das gorjetas. Até os estrangeiros que sabem disso acham justo deixar 10% ou 12%. Não é. É 15% se você é chato (ou se o garçom foi chato) e 18% ou 20% se não. E sem reclamar. Em outros países, a gorjeta varia muito, por isso você sempre deve dar uma olhada no sua guia de viagem ou procurar na internet. (Eu não conheço um bom site em português mas em inglês existem muitos – bota “tipping by country” no Google.


7) PEDIR CERVEJA COMO SE ESTIVESSE NO BRASIL:

Uma vez fui jantar em Nova York com uma família de brasileiros. O pai acabava de chegar ao país e tentou explicar à garçonete (em português, que ela não entendia) que queria a cerveja com dois dedos de colarinho. Quando a bebida chegou sem espuma nenhuma, ele reclamou e tentou explicar de novo. A garçonete falou para nós: “Explique para ele que entendo o que ele quer, mas o negócio do chope não funciona assim.” E é verdade: colarinho na cerveja é um fenômeno brasileiro que é difícil de encontrar na maioria de países (fora a cerveja Guinness).

Quanto à cerveja gelada, o mundo está mais dividido. Normalmente, pessoas de países tropicais gostam de cervejas fracas e bem geladas, para se refrescar num dia quente. Esse é o caso do Brasil. Mas em muitos outros países se acredita que o sabor é mais importante, e é fato que cerveja muito gelada perde o sabor. Um dia, na Bolívia, eu estava jantando com um casal de brasileiros que reclamou à garçonete que a cerveja estava quente. Tentei explicar para eles: “não vai ter mais gelada, aqui se toma assim.”

Nossa, já chegamos a sete? Então preciso colocar um bônus especial para meus queridos paulistanos:


7 – B) MATAR PEDESTRES À VONTADE:

Não sou advogado, mas segundo observo nas ruas de São Paulo, a lei local determina que um motorista que vê um pedestre atravessar a rua e não tenta matá-lo vai preso. Mas quando você alugar um carro em outro país, preste atenção: o pedestre tem algo que se chama “direitos.” Em alguns países da Europa, da Ásia e estados dos Estados Unidos, a lei até exige parar o carro quando alguém pisa na faixa de pedestres.

Agora, a boa notícia. O brasileiro é tão querido no mundo – pelos jogadores de futebol, pela música, pela atitude – que até pode cometer os erros e ninguém vai reclamar. Bom, talvez o pedestre, se é que ele sobrevive".

**********************************************************

Por fim, gostaria de adicionar um "erro" a lista. Na verdade eh um comportamento que muitos brasileiros tem por aqui, e que ja foi mencionado uma vez pela Lu Patinadora num post recente:

8) VESTIR A CAMISA DA SELECAO BRASILEIRA PRA CIMA E PRA BAIXO:

Eh engracado como brasileiro gosta de se fantasiar quando sai do Brasil. Parece que o povo eh mais patriota no exterior do que em casa.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Está chegando a hora!!!

7º mês de gestação - Yuki Noda Photography


Dentro de alguns dias (na primeira semana de agosto) nossa família vai aumentar!!! A chegada do(a) baby, que seria por volta do dia 20, precisou ser adiantada em virtude da minha placenta, que está baixa. Nesses casos não é recomendado que a mulher entre em trabalho de parto, porque o parto não pode ser normal. O risco é a mulher sangrar mais do que deveria, e isso pode ser prejudicial. Sendo assim, lá vou eu para a cesariana!

Ao contrário de muita gente que teme a dor do parto normal, eu estava até que conformada em passar por essa experiência (obviamente que com MUITA anestesia), já que aqui no Canada não é como no Brasil, que o mais normal é fazer cesárea. Aqui a maioria dos médicos só faz a cesárea em caso de necessidade (salvo algumas raras exceções). Meu único receio era ter que ficar horas e horas em trabalho de parto até o nenê nascer, já que isso é algo impossível de se prever... O parto pode durar uma ou trinta horas! E em alguns casos, depois de muito tentar, a mulher acaba sendo submetida à cesárea! :-/

Já está tudo pronto para a chegada do nosso (ou nossa) pequeno(a)! Não vemos a hora de saber quem é que está chegando, se a Clarinha ou o Leo! E aliás, não foi nada difícil fazer o enxoval sem saber o sexo! Ganhamos muuuitas roupinhas lindas, o quarto com decoração safari está uma graça, e a emoção em dose dupla na hora do parto vai compensar toda essa curiosidade!! Surpresas são sempre maravilhosas, e a felicidade vai ser imensa de qualquer jeito!

Eu estou adorando e aproveitando bastante cada momento da minha gravidez! Não ganhei muito peso. Aliás, minha barriga demorou a aparecer, e isso me deixava meio frustrada!!! Lá pelo 6º mês é que as pessoas começaram a reparar e perguntar... Mas de repente minha barriga deu uma estufada!! Parece que cresceu da noite para o dia!! Todo mês, no mesmo dia, eu me peso e anoto num papel... Não por recomendação médica, mas para mim mesma... Aliás, minha obstetra NUNCA conversou sobre peso comigo! Nos três primeiros meses eu não ganhei nada de peso... depois eu ganhava cerca de 1Kg por mês... mas de maio pra junho foram 2, e de junho pra julho, 3!

A sensação de ter um serzinho dentro da gente é inexplicável!! O Pedro também está curtindo muito! Todos os dias, quando ele chega do trabalho, ele gosta de brincar com o baby! Muitas vezes "a barriga" está quietinha, mas basta ele colocar a mão, que as "ondas" começam!! =) Acho que vamos sentir falta disso!!

Minha mãe vem pra cá para nos ajudar e isso me deixa bem mais tranquila! Apesar de todas as mamães me falarem que vou tirar de letra, que o instinto maternal aparece, etc... Nada como ter a NOSSA mãe por perto e aprender com ela alguns truquezinhos básicos, né?!

Imagino que não terei muito tempo para escrever no blog quando o nenê nascer. Mas o papai Pedro dá notícias para vocês!

Aproveito para agradecer o carinho de todas as pessoas que, mesmo sem nos conhecer, sempre perguntam da nossa gravidez e pedem notícias! E, por favor: torçam, rezem, mandem energias positivas!! =)