quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um casamento diferente

Semana passada fui a um casamento judeu aqui em Toronto. Uma das minhas colegas do College é de família judia e convidou, além de mim, uma outra colega (russa) para o casamento da irmã dela. Como ela estava super empolgada com a ocasião, achei que seria chato deixar de ir... e eu também estava bem curiosa pra saber como seria esse casamento, já que a família segue à risca toooodas as regrinhas da religião. Pra vocês terem uma ideia, na casa dessa minha amiga existem duas cozinhas, porque derivados de leite não podem misturar com carne. Então eles têm duas pias, duas lava-louças, dois microondas, duas geladeiras, e por aí vai! E quando se trata de relacionamento entre casais, também têm várias regras. A noiva do casamento que eu fui começou a "namorar" o noivo em Abril deste ano. Coloquei namorar entre aspas, porque esse namoro se limita a conversas... eles não podem nem pegar nas mãos! (ainda bem que isso só durou dois meses né! heheh). Depois que a mulher se casa, ela deve cobrir os cabelos, então a maioria das mulheres judias usam peruca. Quando fui à casa dessa família, não teria percebido que a mãe da minha amiga estava de peruca se ela não tivesse me falado. No quarto do casal têm sempre duas camas. Isso porque quando a mulher está menstruada, o homem não pode encostar nela. Se nesse período ela precisa entregar alguma coisa para o homem, por exemplo, um copo... ela deve colocar o copo na mesa, e depois que ela tirou a mão do copo, o homem pode pegar. Isso entre muitas outras coisas, que não vou detalhar aqui senão o post fica muito grande, e eu quero mesmo contar como foi o casamento!
Pois bem... lá fui eu com a russa pro casamento! O Pedro não foi convidado porque como os homens ficam separados das mulheres o tempo todo, minha amiga quis evitar que ele ficasse deslocado por lá. Estava um calor de rachar, e lá fui eu, às 5 da tarde, com uma saia pra baixo dos joelhos e manga comprida, além de um lenço em volta do pescoço. Eu cheguei a vestir meia-calça, mas como estava derretendo, arranquei a meia antes mesmo de sair de casa. Um parêntesis: As mulheres não podem mostrar do joelho pra cima, nem do cotovelo pra cima. E nada de decote!
Chegando no local do casamento, fomos encaminhadas para a sala das mulheres. Lá estava a noiva sentada numa cadeira de rainha, com a mãe de um lado e a sogra do outro. Logo se formou uma fila para a mulherada cumprimentar a noiva. O vestido dela era como os nossos vestidos de noiva mesmo. Ops... não! Não era "tomara-que-caia"!!! Era de manga até o cotovelo! Mas bem bonito!
Depois de uns 40 minutos só vendo mulheres por todos os lados, começamos a ouvir uma cantoria se aproximando! Eram os homens, que estavam todos cercando o noivo, e entrando na "nossa" sala. Eles estavam muito alegres, cantando e batendo palmas. O noivo se aproximou da noiva, e minha amiga (irmã da noiva) entregou um véu para ele. Ele então pegou o véu e colocou na cabeça da noiva... e os homens se retiraram do mesmo jeito que entraram. Cantando, bem felizes!
Quando finalmente "nossa" sala voltou ao "normal", vi que a noiva estava com o rosto completamente coberto pelo véu... Mas não era um tule fininho não!! Era um pano grosso, branco, que tampava completamente o rosto da noiva. Segundo minha amiga explicou, isso significa que a noiva confia cegamente no noivo. Ela nem precisa vê-lo!
Bom... chegou a hora de irmos para o local da cerimônia, a sinagoga. Homens de um lado, mulheres do outro, e eu e a russa lá em cima, no mesanino, pra ver tudo nos mínimos detalhes!
O primeiro a entrar é o noivo, acompanhado da mãe. Assim que sobem ao altar, a mãe coloca uma espécie de jaleco branco no noivo. Isso simboliza a pureza dele, já que no dia do casamento todos os pecados são perdoados. Em seguida entraram mais algumas pessoas que imagino serem uma espécie de padrinhos... e a noiva surgiu amparada de um lado pelo pai, e de outro pela mãe. Eles estavam literalmente guiando a menina (de 21 anos!) porque ela não devia estar enxergando nada! Chegando ao altar, o pai fica do lado dos homens, e a sogra e a mãe começam a guiar a noiva em volta do noivo. Elas deram 7 voltas em volta dele! Isso significa que a noiva está "nas nuvens"!
E começa a cerimônia... Ah!! Os noivos ficam de frente para a "platéia" e é o celebrante quem fica de costas. Achei isso bem legal.
A maior parte da cerimônia foi em hebraico. De vez em quando eles cantavam umas músicas muito bonitas, mas pra falar a verdade eu não entendi bulhufas da celebração! A certa altura, alguém levantou o véu da noiva e ela tomou um gole de vinho... depois vim a saber que existem 7 bênçãos durante o casamento, e o vinho é tomado pelos noivos em uma dessas bênçãos. E a última coisa, a que marca o fim da celebração, e o começo do casamento, é quando é colocado um copo de vidro (enrolado num pano) no chão, e o noivo pisa com tudo pra quebrar. Na hora que quebra, a noiva tira o véu do rosto, e dá um abraço... na mãe dela!!!!!!!! Achei que nesse momento ela pudesse finalmente encostar no marido pela primeira vez, mas os casais (mesmo os casados há 50 anos) não podem se encostar em público.
A explicação que minha amiga me deu para o copo sendo quebrado... não colou! Ela disse que esse é um momento de tristeza... que apesar dos noivos estarem felizes, eles precisam nessa hora se lembrar que existe fome e pobreza no mundo. Tá! Prefiro a explicação que o Pedro sugeriu: é outra coisa que está sendo quebrada... rompida! Esse lance de pobreza deve ser o que eles explicam para as crianças!
Bom... os noivos saem da sinagoga cantando e dançando, acompanhados pelos homens... e as mulheres vão para o local onde vai ser servido o jantar dos convidados. Era um salão enorme, com uma cortina no meio. De um lado os homens, do outro, as mulheres. Nessa hora todos jantam (menos a família dos noivos, que jantarão mais tarde, todos juntos), e os noivos vão para uma salinha privada. EU ESPERO, DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO, QUE NESSA HORA ELES TENHAM PELO MENOS PEGADO NAS MÃOS!!
Quando acabamos de jantar, foi anunciado que os noivos estavam chegando. Então, os homens já trataram de ir buscar o noivo para o lado deles, e as mulheres buscaram a noiva para o nosso lado.
A festa foi muito animada, apesar da cortina separando os sexos! As mulheres fizeram uma roda em volta da noiva, e até eu e a russa nos juntamos a elas! Mas percebemos que as pessoas não queriam muito ficar de mãos dadas com a gente... Assim como na hora da fila do buffet, parecia que éramos fantasmas. As pessoas olhavam pra gente e furavam fila. Tá na nossa cara que não somos judias... foi a primeira vez que senti na pele o poder do preconceito!
Mas... voltando à festa: todos dançam de um jeito extremamente animado! Pulando, cantando... parece até carnaval! De repente apareceram umas bolas coloridas, sabe-se lá de onde... e depois o noivo apareceu por cima da cortina, sentado numa cadeira, levantado por alguns homens do lado de lá. Então, a noiva sentou numa cadeira e a mulherada fez o mesmo... Um espiando a festa do outro, por cima da cortina.
Como era uma segunda-feira, não podíamos abusar do horário, e quando fomos embora a festa ainda estava no auge!





Na foto, eu com a irmã da noiva (que tem 19 anos e está louca pra casar) e a russa.

Respeito a tradição deles... Não deve ser fácil viver desse jeito em pleno século 21... Deve ser mesmo muito emocionante o dia do casamento pra eles. Imagina!!! Tudo acontecendo ao mesmo tempo! Mas mesmo eu tendo namorado durante 8 anos com o Pedro antes de casar (e de ter tido outros namoradinhos antes) não acho que meu casamento tenha sido menos emocionante que esse! Pelo menos eu sabia muito bem com quem estava me casando!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Cuidado com a língua!!


Fim de tarde... seis mulheres reunidas num restaurante pra botar o papo em dia, e conversa vai, conversa vem, acabamos chegando num papo beeem cabeludo (que, por motivos óbvios, não será reproduzido neste blog!)

Tudo muito divertido, gargalhadas, e a sensação de "liberdade" de poder falar bobagem sem precisar cochichar, já que estamos no Canadá, sem brasileiros por perto, e ninguém entende o que estamos falando.

Lá pelas tantas, um senhor se aproxima da nossa mesa com um cartãozinho... falando um português com sotaque bem canadense, e misturando com inglês, ele estava fazendo propaganda de um lugar que toca música brasileira. Na mesma hora me arrependi de ter ido com uma camiseta nada discreta, verde limão, com a bandeira do Brasil. Pra falar a verdade nem prestei atenção no que o homem falava, porque a minha vontade era de me enfiar debaixo da mesa, imaginando que ele pudesse ter entendido tudo o que estávamos falando. Me deu um ataque de riso e o homem não parava de falar!!! Que vergonhaa! No fim só ouvi ele falando que nesse lugar têm muitos rapazes cubanos... (?!). Falou alguma coisa de samba... salsa! Deve ter achado que éramos qualquer coisa, menos mulheres casadas!!!

Não temos certeza se o cara entendeu o teor da conversa, mas o papo animado parou por ali!!

Fica aqui a dica: cuidado!!! Nem só os falantes de português entendem português!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Toronto Zoo




Aproveitamos o feriado de Victoria's Day pra conhecer o Toronto Zoo! A ideia era chegarmos lá assim que abrisse, às 9 horas, porque a previsão pra ontem era de muito calor, e além disso, sendo feriado, imaginamos que estaria bem cheio! Maaaas como ainda somos pessoas sem-carro e como todos os trabalhadores do Canada merecem descansar, acabamos chegando lá quase 11 horas porque o metrô só começa a operar às 9 da manhã aos domingos e feriados.

A viagem até lá é longa! Pegamos o metrô até a Kennedy (última estação da linha verde - East) e de lá, pegamos o ônibus nº 86A até o estacionamento do zoológico (da estação até lá dá quase meia hora!).

Como era de se esperar, o parque estava bem cheio, mas tudo muito bem organizado... não ficamos nem cinco minutos na fila. Dica para os usuários do TTC: apresente seu metropass na hora da compra do ingresso e ganhe um desconto de 15%!

Gostamos bastante do zoo. Faz tempo que fui ao zoológico no Brasil, mas não me lembro de ver os bichos tão de perto como aqui. Os cangurus, por exemplo, ficam numa área sem cerca nenhuma! Tem apenas um aviso pedindo que as pessoas não ultrapassem o gramado. Pena que eles estavam meio longe, na sombra!

Os orangotangos são os mais palhaços! Parece que ficam se exibindo de propósito para os primos humanos fotografarem! Os gorilas também são bem engraçadinhos! Tinha uma mãe-gorila cuidando do filhotinho do mesmo jeito que nós fazemos! Parece até que o macaquinho tinha uma fralda!


Mas quem estava fazendo um show à parte era o urso polar. O coitado devia estar morrendo de calor, então ficava nadando de um lado pro outro, em vários estilos. Na ida, nadava crawl, e na volta, costas. Olha só que folgadão!


Uma ala do zoológico que achamos bem legal é o "Splash Island", que é uma parte que parece um parque aquático, com chafariz, pra criançada se refrescar. Nessas horas dá vontade de voltar a ser criança!! Aliás, em quase tudo quanto é parquinho por aqui tem esses chafarizes. O pessoal dá muuito valor ao verão. No ano passado, quando chegamos, achava engraçado. Agora (depois de ter passado pelo inverno) eu entendo bem o porquê!

Apesar de bem grande, achamos fácil andar pelo parque. É tudo bem sinalizado, e a infra-estrutura é ótima, com restaurantes e banheiros em vários pontos. Claro que como em qualquer lugar desse estilo, um simples lanche não sai baratinho... e a garrafinha de água foi $3.15! Mas debaixo de um sol de 30º ninguém discute o preço!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Festival de Tulipas de Ottawa


Já tínhamos ouvido falar no Festival de Tulipas de Ottawa desde antes de nos mudarmos pro Canada. Não que sejamos os maiores admiradores e entendedores de flores, mas sabemos apreciar o que é bonito, então desde o ano passado pensávamos em ir lá pra conferir. Mas só na semana passada, enquanto pesquisava as atrações da cidade nesta época, é que fiquei sabendo do motivo desse festival: durante a Segunda Guerra Mundial, a rainha da Holanda, que estava no Canada, acabou dando à luz uma de suas filhas por aqui. Acontece que para que a menina pudesse ser princesa, ela deveria ter nascido em solo holandês. Sendo assim, o então Primeiro Ministro do Canada "transformou" uma ala do hospital em solo holandês, o que fez com que a criança, mesmo tendo nascido no Canada, fosse uma princesa holandesa. Então, em agradecimento, todos os anos a Holanda manda bulbos de tulipa pra cá. Legal, não?!

Bom... fomos pra Ottawa sábado cedinho. A viagem foi bem tranquila, a não ser por uma aranha que entrou sabe-se lá de que jeito no carro, e me deixou em pânico. Eu gritava tanto e pedia pro Pedro parar o carro pra matar a bicha, que ele começou a ficar assustado, achando que se tratava de uma aranha caranguejeira! Pra mim era quase... Como no ponto em que estávamos não havia acostamento, acabamos desviando um pouco o caminho (pra parar num posto) e a viagem ficou um pouquinho mais longa. Mas foi bom, porque além da aranha ter sido esmagada, nós ficamos conhecendo um pedacinho de uma das cidade das 1000 ilhas: Gananoque. Com certeza qualquer hora vamos passear por lá!

Demos com a cara na porta do hotel que havíamos reservado, porque chegamos às 10h30, mas o check-in só poderia ser feito às 3... Beleza! Deixamos o carro no estacionamento do hotel e fomos à pé até o Parlamento. (Um parêntesis: no fim do ano fizemos uma excursão com a Tai Pan Tours pra Ottawa, Montreal e Quebec, e o Parlamento e o Museu das Civilizaçoes haviam sido os únicos lugares da cidade que "conhecemos". Voltamos pra Toronto, na época, com a impressão de que Ottawa era uma cidade feia e sem graça. Tava um frio sem explicação e ficamos só uns 10 minutos ali na praça). Nossa impressão começou a mudar logo que chegamos. A cidade é muito gostosa, limpíssima e organizada! Com as tulipas, então, fica ainda mais charmosa! Queríamos ter entrado no Parlamento, mas tinha uma fila de quase uma hora de espera, então deixamos pra ir depois. Ficamos passeando em volta dos prédios do Parlamento e também pelo Rideau Canal. Encontramos um dos pontos do festival, o qual, como tudo quanto é festival por aqui, abrigava, não somente barraquinhas da Holanda, mas de vários outros países, inclusive o Brasil. Cheguei perto do stand pra ver o que tinha, e quando li: "coxinha", meus olhos até brilharam! Mas achamos muita sacanagem pagar 2 dólares numa coxinha menor que uma bola de ping-pong! Ficamos andando pela cidade e chegamos no "burburinho": o Byward Market - um pedaço da cidade cheio de restaurantes, pubs, uma feirinha de flores (claro!), frutas, doces, artesanato, e um quiosque de Beaver Tail, que pelo visto faz muito sucesso, porque estava lotado!

Tudo isso fizemos antes do check-in... então às 3 horas fomos pro hotel dar uma descansadinha e mais tarde saímos pra "almojantar" num lugarzinho que paqueramos durante as nossas andanças: Zak's Dinner. Eu comi uma quesadilha de frango maravilhosa e o Pedro, um sanduíche chamado Philly Cheesesteak. Estava tudo muito gostoso! Sabe quando a gente come e não cansa de repetir: "isso aqui tá muito bom!"?! Mas o destaque vai para o milk shake, que enche dois copos e custa só 5.99!!! Da última vez que fomos no The Fifties, no Brasil, há mais de um ano, o milk shake custava 16 reais! Fora da realidade!

À noite demos uma chegadinha em Gatineau... passeamos um pouquinho por um parque logo depois da ponte que divide as duas cidades (e tb as duas províncias... Ontario e Quebec), mas logo voltamos. Eram umas 9 da noite e a cidade estava deserta! Só estávamos nós, os esquilos e um castor no parque! Mais cedo tínhamos visto um raccoon e um coelho. Parece que a variedade desses animaizinhos é bem maior praqueles lados que em Toronto!

Domingo fez um dia lindo e, depois de visitarmos, finalmente, o Parlamento*, ficamos em dúvida se alugávamos bikes pra pedalar por umas trilhas que parecem bem legais, ou se iríamos até um parque no Dow's Lake. Ficamos com a segunda opção, e não nos arrependemos. O parque é lindo, o lago é lindo, e tinha muuuito mais tulipas lá do que no centro de Ottawa. Demos umas andadas por ali, e experimentamos o tal Beaver Tail, que parece mais gostoso do que realmente é!

Pegamos novamente a estrada lá pelas 3 da tarde, com o coração na mão! Com certeza vamos voltar mais vezes a Ottawa, e recomendamos a viagem! São cerca de 450 Km de Toronto até lá, mas super sossegado e sem a parte chata (e cara!) dos pedágios, como no Brasil. Da próxima vez vamos pesquisar hotel em Gatineau, que imaginamos ser um pouco mais barato!

* btw, a visita ao Parlamento vale a pena! Na entrada são distribuídas senhas com os horários das visitas guiadas - for free - e é possível entrar em algumas das salas do prédio, desde que elas estejam desocupadas (isso varia de acordo com o dia da visita). O prédio é bem bonito não só por fora! No final da visita, que tem duração de 45 minutos, pode-se subir de elevador até a torre para ver a cidade lá do alto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Plim plim!!


Uma das coisas que combinamos ainda antes de virmos pra cá seria que não assinaríamos a Globo. Isso porque achávamos que seria importante evitar ao máximo ouvir a língua portuguesa, e mergulhar com tudo no inglês. Eu achei que seria um sacrifício pra mim, já que sempre fui noveleira! Mas a verdade é que com a correria do dia-a-dia, trabalhos do College, e a TV sempre ocupada com os jogos de baseball, futebol americano, basquete, hockey, golf, futebol (sim, o Pedro assiste todos os esportes), eu passei muito bem um ano sem ver novelas! E outra, os seriados daqui - ainda que eu não acompanhe fielmente nenhum - quebram bem o galho!

Por duas vezes desde que estamos aqui o sinal da Globo na Rogers foi liberado, mas apenas durante alguns dias. E das duas vezes aproveitamos pra assistir um pouquinho de Jornal Nacional, Fantástico, ou mesmo algum programa à noite como A Grande Família e um capítulo ou outro de novela. Eu sei que tá cheio de gente aqui, e mesmo no Brasil, que tem aversão à Globo! Mas eu não tenho vergonha de dizer que assisto e gosto!

E não é que ontem o Pedro teve a brilhante ideia de assinar a Globo?! Diz ele que é porque este ano teremos as ilustres visitas da minha mãe, minha tia, minha avó e meu irmão (não todos de uma só vez, mas todos no segundo semestre!) e a família é toda noveleira. No fundo eu sei que ele está é sentindo falta de assistir futebol narrado pelo Galvão (haha). E daqui a pouco começa a Copa! Tá certo que a Globo Internacional não vai transmitir - droga! - mas poderemos ver a cobertura no JN.

Ontem à tarde vimos o jogo do Santos e Santo André... à noite vimos um pedaço do Fantástico, e hoje estou de molho em casa por conta de um resfriado chato acompanhado de febre, e foi bem legal almoçar assistindo o Jornal Hoje e depois cochilar no sofá vendo Video Show, que está fazendo uma homenagem aos 45 anos da emissora. Dá a impressão de que não estamos tão longe! Pena que as notícias ruins ainda predominam... Mas pelo menos vou poder voltar a ver minhas novelinhas!! Plim-plim!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estágio # 2


Estou no meu segundo estágio, de um total de 3 para concluir meu curso de ECE (Early Childhood Education). Em comparação com o primeiro, desta vez estou muito mais tranquila e confiante. O "choque" já passou. Mas agora os desafios são outros... bem maiores! Agora estou com uma turminha de Kindergarten (4 a 5.5 anos). Geeeente!!! Não é mole não!!! As crianças nessa idade já estão beeem espertas, e algumas bem sem educação! As professoras ficam o tempo todo chamando a atenção, pedindo pra parar, pra pedir desculpa, pra não gritar, pra se comportar, pra descer a escada direito, pra não jogar brinquedos nos amigos, pra ouvir, pra respeitar... e ameaçando ligar pras mães... e mandando pra diretoria... (sim! Crianças de Child Care indo pra diretoria!)

Outro dia um dos meninos "surtou"! Dois deles estavam brigando e uma professora substituta (a oficial estava de férias) foi acalmá-los. Coitada! Acabou sobrando pra ela! Ela saiu com o braço sangrando, de um arranhão, e a canela roxa, de um chute! Fiquei em choque! Nunca tinha visto uma criança tão descontrolada! Depois a professora comentou comigo que esse menino era um doce até no ano passado. No mínimo deve estar passando por algum problema em casa. Uma vez, no playground, um dos meninos estava irritando uma menina, e uma outra (que é atentada demais!) ficava cochichando pra amiga: "just pinch him!" - ou seja, "belisca ele!"

Não sei não... mas tenho a impressão de que quando eu era criança, as professoras tinham muito mais autoridade. Ou as crianças tinham mais educação?!

Mas além das crianças mais encapetadas têm muitas bem simpáticas e boazinhas! Uma delas é minha professorinha de inglês! Ela adora corrigir minha pronúncia de "th", como "three", "they" etc. Vira e mexe ela aponta pra língua dela entre os dentes, e me faz repetir! hahah

Assim que comecei nessa escolinha, achei que nunca fosse conseguir memorizar os nomes das crianças! Aí vão alguns deles: Kidus, Malakai, Malaika, Micah, Shyhiem, Mihret, Melat, Saiera, Malcolm, Zion... e eles também penaram um pouquinho pra memorizar o meu. Virei Rosedela, Gloriela, Tanela... Mas agora tanto eu quanto eles não temos mais esse problema!!

Um dos meus desafios com essa turma é fazer com que eles me respeitem. Como eles já entendem que sou apenas uma estudante lá, alguns não estão nem aí pra mim. Posso pedir, falar e repetir que eles nem me dão bola! Sabem que daqui a alguns dias eu não estarei mais lá!!
Mas apesar de passar nervoso - hoje mesmo eu levei um empurrão na boca do estômago, que me deixou até enjoada - eu recebo muito carinho! Sempre que chego tem alguém que corre pra me dar um abraço... fazem desenhos pra mim... tem uma menininha muito fofa que adora passar a mão no meu cabelo, e adora meus olhos verdes (tudo bem que os dela são azuis!!). Outro dia ela estava me contando que "costumava ter 3 anos e meio, mas que agora tem 4 e meio". Então perguntei quantos anos ela achava que eu tinha, e ela disse: "51!!" Quando eu disse que nãaaooo (com bastante ênfase) ela perguntou: "52?" hahaha Ok... trabalhar com crianças me deixou mais de 20 anos mais velha! Mas eu nem fiquei brava com ela, porque ela encerrou a conversa assim: "can I have a hug and a kiss?" (não dá pra ficar brava né?!)

Mais uma pérola: outro dia uma menina me disse que a mãe dela estava no trabalho. Olhei no relógio e disse: "a minha mãe também está trabalhando agora!" A menina me olhou bem séria e disse: "você não tem mãe! Você é grande, você não precisa de mãe!" hahaha quando eu perguntei pra ela se ela tinha avó, e expliquei que a vovó é mãe da mamãe ou do papai, ela retrucou: "você sabia que Jesus morreu na cruz pra nos salvar?" (cada uma!)

Uma grande barreira pra mim, no estágio, é a língua. Apesar de conseguir me comunicar em inglês, não tenho aquela coisa rápida de dizer, por exemplo: "Kidus, presta atenção na escada! Segura seu casaco direito que ele está arrastando no chão... Alguém pode tropeçar e rolar escada abaixo!" Até falo tudo isso, mas num ritmo que não acompanha a urgência do recado! É capaz que quando eu acabar de falar tudo isso as crianças já estarão rolando!

Tirando proveito dessa minha barreira, e aproveitando que eles adoram soletrar, fiz uma atividade de soletração em português! Fiz alguns quadrinhos com desenhos e o nome da figura tanto em inglês quanto em português. Eles adoraram!!! Os quadrinhos continuam expostos na sala de aula e vira e mexe uma das crianças me pergunta como é a pronúncia em português. Algumas são mais curiosas e querem saber várias outras palavras em português. Elas ouvem atentas e repetem. Nessa hora eu me sinto no comando!! =)

Comparando kindergarten com toddlers (1.5 a 2.5 anos, que foi meu primeiro estágio), é mais fácil elaborar atividades com os de hoje, por exemplo, já que os menorzinhos não têm muita concentração. Em compensação, os toddlers não têm as "maldades" que os mais velhos já têm. Eles ainda respeitam mais as professoras, e qualquer coisa, é só pega-los no colo e levar pra onde quisermos, coisa que é impossível fazer com os mais velhos! Um dos meninos de 5 anos da minha turma bate quase no meu ombro!!

Meu último estágio será com infants, que são bebês de até 1 ano e meio. Aí terei que trocar fraldas, dar mamadeira, comida, ajudar a andar... Não sei não, mas algo me diz que no futuro eu vou preferir trabalhar com... quem arrisca um palpite?!

Segue um link pra uma música que as crianças cantam todos os dias, sem falta, e que está grudada na minha cabeça! (Wavin' Flag)

domingo, 11 de abril de 2010

Um ano!

Nossa última foto no Brasil. Olhos marejados e cabeça a mil: saudades antecipadas e esperança
de que a escolha tivesse sido a mais acertada. Foi!

Hoje faz um ano.
Um ano que passou voando, mas que foi, sem dúvida, o mais intenso.
Um ano de muitas conquistas: de amizades, de conhecimentos, de maturidade, de coragem...
Um ano longe de casa...
Um ano na nossa nova casa!
Saudades?! Muitas!!
Arrependimento?! Nenhum!

UM ANO NO CANADA! EH!